O (33,99%). O nome pelo qual o bairro é

Obairro da Mouraria é tido como um local da cidade de Lisboa que foi alvo dealterações no seu espaço público.

Por estas alterações entendem-sereabilitação, renovação e requalificação de edifícios, praças, igrejas com oobjetivo de as tornar mais dinâmicas e atrativas economicamente e assimaumentar a atratividade turística e por parte de novos moradores. Este processonão se restringiu à cidade de Lisboa, mas nem sempre a população está de acordocom as alterações que são feitas. O caso da Mouraria é mais um caso que se somaa um problema de insatisfação por parte dos cidadãos com o resultado obtido dasmudanças efetuadas.Parauma melhor compressão deste processo, o presente ensaio, abordará um conjuntode pontos. Assim, após o enquadramento do bairro, serão referidos projetos eplanos postos em execução na Mouraria, bem como a opinião de moradores sobre asmudanças, bem como sobre a crescente partilha do espaço com os turistas.

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Obairro da Mouraria é um dos bairros históricos do distrito de Lisboa, freguesiade Santa Maria Maior. Por um longo período de tempo este bairro estendeu-se porcinco freguesias, Madalena, Graça, Socorro, São Nicolau e São Lourenço. Estafreguesia, Santa Maria Maior, em termos geopolíticos, situa-se na zona sudoesteda cidade de Lisboa. Sendo que esta freguesia se encontra localizada no centrohistórico da cidade de Lisboa, o edificado torna-se uma das componentes maisfortes da caracterização deste território.

Assim, Santa Maria Maior apresenta4,6% do total de edifícios clássicos da cidade de Lisboa, por sua vez, o bairroda Mouraria possui, o segundo maior aglomerado de edifícios clássicos (28,4%),antecedido pelo bairro de Alfama (33,7%) e o maior aglomerado populacional dafreguesia (33,99%).Onome pelo qual o bairro é conhecido, Mouraria (bairro dos mouros), remonta àconquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, aos mouros, a do facto deste povo terficado restringido a esta área. Nesta época o seu afastamento para esta áreadeveu-se à falta de atratividade que a mesma área representava, pois na época,era considerada já fora da cidade. Nos dias que correm a Mouraria é conhecidacomo um bairro envelhecido, apresentando mesmo uma média etária superior à deLisboa, e também, por ser um bairro altamente multicultural, tendoconsequentemente um número superior ao da cidade capital. Apesar de se tratarde um bairro bastante multicultural, a maioria dos habitantes são portugueses, (78,2%)ainda que seja um valor inferior ao de Lisboa, ou até mesmo do país.Encontram-se representados em maior número os habitantes oriundos de paísesasiáticos (8,7%), seguidamente africanos (5,4%), europeus (não portugueses) epor fim, americanos. Neste bairro é possível denotar também uma elevada taxa deanalfabetismo (16,3%).

Tendência esta que se começa a ver invertida com achegada dos chamados gentrifiers classemedia-alta jovem com algum poder económico e qualificações. Ascidades aos longo dos anos vão sofrendo diversas alterações de ordem daorganização, por sua vez motivadas por mecanismos económicos. Com a crescenteglobalização, Lisboa, em conjunto com outras cidades acompanharam estaevolução.

A espiral competitiva, gerada pela globalização, conduz a que ascidades se vejam inseridas, na mesma, devido à procura de maior atratividadeeconómica, habitacional e turística. Nos dias que correm existe uma competiçãomuito elevada por recursos globais, tal como de investimentos einfraestruturas.Aprocura por uma nova imagem, que se faz sentir, pela crescente necessidade deatração turística, muitas vezes provoca desacordos e contestação por parte doshabitantes locais. Não só na Mouraria casos como este se verificaram nosexemplos de Valencia e Raval, em Barcelona o mesmo se sucedeu. As manifestaçõese desmonstrações de desagrado por parte das populações aumentaram no seguimentoda intervenção das entidades que levaram a cabo as alterações no espaço, semque a opinião dos habitantes dessas áreas tivesse sido ouvida. Obairro da Mouraria é um dos bairros que sofreu, e nos dias de hoje ainda sofre,com os projetos de renovação e reabilitação urbana. Embora este bairro selocalize no centro de Lisboa e seja caracterizado como um bairro histórico temassociado um fator bastante negativo, a má fama, associada à pobreza, àdegradação, delinquência, tráfico de droga e prostituição, que durante muitosanos que ali se fizeram sentir.  Paraque este estigma seja combatido, o antigo presidente da câmara de Lisboa,António Costa, mudou o seu gabinete para o Largo do Intendente, com vista ademonstrar confiança, à vontade e segurança neste mesmo local, bem como renovara economia do bairro, foi uma das suas intenções.

Para que tal acontecesse, foinecessária uma revitalização do tecido económico local, com vista a, promoveruma melhoria da qualidade de vida para as populações mais idosas que alihabitam, o acesso ao mercado de trabalho, melhorias em termos de saúde, ajuda àpopulação mais vulnerável (toxicodependentes, sem-abrigo e trabalhadoras dosexo), bem como promover o fado. Osprojetos de renovação e reabilitação que foram destinados a este localapresentaram objetivos gerais como a melhoria da qualidade de vida (Programa deDesenvolvimento Comunitário da Mouraria (PDCM)) e a diminuição dos fenómenos deexclusão socia e pobreza. Melhorar este local passa por tornar este espaço maisatrativo, inclusivo e seguro. Para a concretização destes aspetos foinecessário envolver associações, com vista a por em prática o Programa deDesenvolvimento Comunitário.

Outro programa que tem vindo a efetuar mudanças anível urbanístico no bairro é o Programa de Ação do Quadro de ReferênciaEstratégico Nacional (PA-QREN). Para dar resposta a estes objetivos gerais foinecessário proceder à realização dos objetivos específicos. Foi essencialrequalificar o espaço publico e o ambiente urbano, recorrendo à criação de umCentro de Inovação da Mouraria, “centro de desenvolvimento social, cultural eeconómico, localizado no Quarteirão dos Lagares, que visa ser um polocentralizador destas dimensões.

Visa promover e desenvolver a dimensão deaprendizagem e formação profissional, dando um enfoque na recuperação dosedifícios tradicionais em Lisboa” (Lisboa Participa, 2013), criar uma cozinhacomunitária, bem como, a abertura de uma casa de fados para manter vivo estepatrimónio, Severa, e ainda criar dois espaços para atividades, para jovens eidosos. Para alem dos projetos enunciados anteriormente, outras estratégiastambém foram postas em prática, reabilitação da Igreja de S. Lourenço, bem comode 8 edifícios habitacionais (Programa de Investimento Prioritário em Ações deReabilitação Urbana (PIPARU)) e ainda a renovação da Praça do Martim Moniz.Paraa valorização desta área foi ainda necessário dar maior evidencia à vertenteartística, com a abertura de ateliers de artes e ofícios, valorizaçãosociocultural e turística, bem como do debate em torno da “identidade” daMouraria. No que trata a cultura, a imagem que foi contruída foi com vista atornar o bairro mais atrativo, através de realização de espetáculos, noites defados e um festival multicultural, com o objetivo de promover a multiculturalidadepresente neste bairro tão histórico. A procura de inclusão social, dado o caráteraltamente multicultural deste bairro foi também tido em conta como objetivodesta requalificação do espaço público, pois era de elevada importânciaprocurar uma maior inclusão social por parte dos diferentes grupos sociaisexistentes neste espaço. Nesta procura de inclusão social, os restaurantestípicos dos vários grupos sociais presentes foram um elemento a ter em conta,acabando por se tornar também restaurantes a serem frequentados por outras pessoasnão pertencentes aos mesmos grupos. O turismo é um setor muito importante, ecada vez com maior afirmação na cidade de Lisboa, em especial para a economia econstrução da identidade, bem como para a valorização deste espaço.

Arequalificação do espaço de lazer foi outra preocupação tida em linha de conta,sofrendo assim uma requalificação na sua imagem urbana com a criação de espaçosde descontração, como esplanadas que por sua vez servem de apoio aestabelecimentos existentes ou que surgiram após as alterações feitas. Assim,as áreas que sofreram alterações do foro da reabilitação e requalificação foramdiversas. As melhorias do espaço público foram inúmeras, desde a praça doMartim Moniz, o Largo da Rosa, os largos do Intendente e Adelino Amaro da Costa.No que trata a criação de novos espaços, direcionados para o lazer infantil esénior, criou-se o sítio do fado da Severa, a oficina de guitarra portuguesa,um parque infantil e o centro de inovação da Mouraria e ainda um percursoturístico. Dadaa crescente expressão do turismo em Portugal, este percurso faz todo o sentido,principalmente por se tratar de um bairro histórico da cidade de Lisboa, e porLisboa se encontrar nas escolhas dos turistas devido, ao clima da cidade,paisagem e preços convidativos a muitos turistas. A procura da “identidadealfacinha”, identidade portuguesa, conduz os turistas a passear pelos bairroshistóricos, como é o caso da Mouraria.

O número de dormidas, no ano de 2017chegou a um máximo de 63,40%, subindo 5,6% relativamente ao ano de 2016. Todoo investimento neste bairro teve os seus frutos. Uma melhor imagem, uma famamenos negativa, uma maior capacidade atrativa, mas nem todos viram estasmudanças com os mesmos olhos. Por alguns habitantes estas mudanças não foramaceites da melhor forma, ainda que considerem algumas das alterações positivas,como as alterações da qualidade de vida da população. Aconvivência diária com massas turísticas cada vez mais densas e com a criaçãode cada vez maior número de agentes hoteleiros a investir nestas áreas geradescontentamento nos habitantes, fazendo com que estes não recebam os turistasda melhor forma e que os vejam como uma ameaça no “espaço deles”.  Aespeculação imobiliária que se vive neste tipo de bairros tem vindo a gerarmuita contestação, pois com a procura por parte de classes sociais com maiorpoder económico, levam a que os habitantes que neles se encontrem, por vezes,até se vejam obrigados a abandonar as suas habitações por incapacidade decomportar os preços aplicados. Este é um conflito que se tem sentido muitopresente na Mouraria, bem como em outros bairros históricos da cidade deLisboa, e a sua expressão tem vindo a aumentar cada vez mais.Estes tipos decaracterísticas são favoráveis, como a coexistência de pessoas de diversasculturas (Menezes, 2011), conduz à fixação de população mais jovem, qualificadae de poder económico mais elevado, denominados de gentrifiers.

Segundo, Estevens (2016) como principal motivaçãopara a fixação destes nesta área, em maior incidência no Largo do Martim Monizesta o facto de se tratar de um bairro muito típico, central. Em troca, estesdão ao bairro uma crescente procura turística, que como visto anteriormente nãotem a melhor aceitação por parte de todos os moradores do bairro.  Considerações finais Obairro da Mouraria sofreu muitas alterações nos últimos anos. A “má fama” quelhe é associada desde os seus tempos mais passados tem vindo a tentar sercombatida cada vez mais, apesar de ainda se verificar um forte preconceito porparte do povo português, em especial mais idoso, pois ficaram com a imagem quelhes foi transmitida nos seus tempos mais jovens.Atualmenteo bairro começa a estar mais rejuvenescido, com maior procura turística e commaior interesse para classes criativas com algum poder económico. A especulaçãoeconómica que se faz sentir nos dias de hoje no centro da cidade tem vindo adeterminar muito o futuro da Mouraria e dos que nele habitam.Osconflitos, como visto anteriormente, tem vindo a ser mais notórios e a ganharmais expressão com as alterações que tem sido feitas no espaço. A perda deidentidade, do bairro histórico é uma das revindicações dos moradores, paraalém da constante presença de turistas e dos altos preços, na habitação, que setêm vindo a fazer sentir cada vez mais.